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Confira entrevista exclusiva de Paulo Muzy para o Velocitta

Há 15 anos, o Autódromo Velocitta recebia seu primeiro campeonato: a Porsche Cup Brasil, a maior categoria monomarca da América Latina.  Desde então, recebemos a categoria consecutivamente, e neste ano de 2026, tivemos a honra de recepcioná-los para a segunda etapa da temporada.

Realizada nos dias 28 e 29 de março, a competição trouxe vitórias inéditas na categoria: Dennis Ferrer, Raijan Mascarello, Bruno Campos e Dilson Peres Jr. subiram pela primeira vez ao topo do pódio.

Na sexta-feira de treinos, tivemos a oportunidade de bater um papo com Paulo Muzy, que nos concedeu uma entrevista exclusiva.

O piloto refletiu sobre sua trajetória como piloto, que foi iniciada na Porsche Cup Brasil, no Velocitta, no ano de 2025. Leia mais abaixo!

Entrevista com Paulo Muzy – Porsche Cup Brasil
Autódromo Velocitta

Autódromo Velocitta: Paulo, você começou sua trajetória como piloto há pouquíssimo tempo e já conquistou bons resultados. O que da sua construção pessoal você trouxe para dentro da pista?

Paulo Muzy: A primeira coisa que a gente pensa em automobilismo é que é entrar no carro e acelerar. Não é bem assim. Em primeiro lugar, o preparo físico é bem diferente de qualquer esporte. Por mais que você ache que quem faz esforço é o carro, na verdade, é você. Você está em exaustão térmica, porque o carro fica entre 50 e 60 °C.

Em segundo lugar, o exercício que você faz é apertar um pedal de freio que vai, tranquilamente, até 90, 100 quilos. E você faz isso, por exemplo, aqui no Velocitta, 15 vezes por volta. Se você multiplicar isso por 15 voltas, chega a um número bem interessante: 225 movimentos de leg press só com o pé direito.

E o pé direito que fica no acelerador, você mantém em isometria. Então, você precisa ter resistência aeróbica e força, senão você cansa. E, além do seu tempo cair, o seu rendimento cai absurdamente.

O que eu acho que foi determinante foi eu ter sido atleta de outros esportes, foi principalmente o jiu-jitsu, porque o fisiculturismo é um esporte de apreciação. Isso me ajudou a entender que eu precisava criar memória muscular para conseguir me manter bem durante qualquer corrida.

Isso me mostrou que o caminho é repetição. Evidentemente, a gente não tem a oportunidade de pegar um carro de corrida e colocá-lo na pista todos os dias. E aí entra o papel do simulador. Se você quer se tornar um piloto, uma coisa você precisa saber: é simulador todos os dias.

Autódromo Velocitta: Quais são suas expectativas para a Porsche Cup hoje, já com mais experiência?

Paulo Muzy: Eu não sou o tipo de pessoa que pensa em como as outras pessoas vão. A minha competição é com a minha capacidade de melhorar, porque, até para ter serenidade na mente, eu não vou buscar perfeição, mas sempre busco progressão.

Então, o que eu espero, de fato, é fazer uma classificação melhor do que a do ano passado. Espero ter uma colocação que faça jus à minha forma de pilotagem. Pode ser uma boa colocação, mas também pode ser uma corrida tão difícil, com tantos pilotos bons, que eu não fique tão bem posicionado assim. E eu estou pronto para isso.

Isso me traz calma, me traz muita serenidade. Mas o que eu faço questão é sempre melhorar um pouquinho, cada vez mais. Perfeição nunca, progressão sempre.

Autódromo Velocitta: Por fim, você que já veio algumas vezes ao Velocitta, em corridas e outros evento, o que acha do nosso autódromo?

Paulo Muzy: As pessoas fazem comparações com outras pistas, dizem que uma é mais chata que a outra… O Velocitta tem uma pista essencialmente técnica. Ela é muito difícil para um piloto iniciante, e eu enfrentei toda essa dificuldade.

Para mim, foi positivo, ainda que eu não tenha tido um desempenho fenomenal, até porque eu era iniciante. Isso me mostrou exatamente a realidade desde o começo. Não existe essa história de você ser novato e pilotar com o coração. Não vai. Você pilota com a cabeça, com atenção, com reflexo e, principalmente, com repetição de movimento.

A importância de eu ter começado no Velocitta é que eu já tive esse contato com a realidade. Então, tenho um vínculo afetivo, porque foi onde comecei, onde “nasci” para o esporte. Mas, olhando pelo lado do atleta, foi onde eu entendi que, quando a intuição falha, é a técnica que resolve.

Muitas vezes, nesse autódromo, que é muito técnico, o que você precisa ter é justamente mais técnica do que iniciativa. E por que eu falo iniciativa e não coragem? Porque você precisa ter muita coragem para ter técnica.

Você precisa ter calma: se for ultrapassado, ter paciência para preparar a próxima ultrapassagem; e, se estiver na frente, saber dosar o quanto está exigindo do carro para manter a posição, sem se colocar em risco tentando fazer um tempo extraordinário que pode acabar em erro.

Então, técnica. Quando eu penso no Velocitta, a primeira palavra que me vem é técnica.